quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Eles precisavam dos loucos para sentirem-se normais

Eles precisavam dos loucos para sentirem-se normais. Assim como, os tolos que insistiam em dizer que as faculdades mentais dele estavam abaladas, necessitavam dele para encontrarem um resquício - mesmo mínimo- de sanidade. 

Ao pé da orelha, ele falava com alguém. O punho fechado seria o meio que interceptaria a comunicação com "não-sei-quem" e ali estava estabelecido um diálogo, pelo menos, curioso. Do outro lado, aqueles olhos curiosos e os pensamentos desordenados dos que apenas assistiam, sempre encontravam o corpo do jovem curvado, bem para frente, tentando esconder-se de um mundo que não era seu.

E lá estava ele. O homem estranho. O esquisito. O menino que não crescia e não pretendia. Profissionais poderiam dar diagnósticos clínicos. Mas, eu, um ninguém com vontade de ser um alguém o enxergava de outra maneira. Eu via uma fragilidade mesclada a vontade de compreensão. Ele precisava daquele “não-sei-quem” do outro lado e mais ainda de expor, com as palavras orais, o que pensava. O que sentia. 


domingo, 12 de junho de 2011

100 suns

I believe in nothing,

Not the end and not the start

I believe in nothing,
Not the Earth and not the stars

I believe in nothing,
Not the day and not the dark

I believe in nothing,
But the beating of our hearts

I believe in nothing
One hundred suns until we part

I believe in nothing,
Not in Satan, not in God

I believe in nothing,
Not in peace and not in war

I believe in nothing,
But the truth of who we are

(30 second to mars)

A quem confiar as minhas lágrimas e os meus sonhos?

Observei, hoje à tarde, um pedaço de papelão voar centímetro a centímetro no chão a minha frente. E mesmo com calor e sentindo o meu corpo pesar tanto quanto as sacolas que carregava, eu compreendi que aquilo poderia ser uma representação simples da nossa existência. Somos tão frágeis quanto aquele pedaço de papelão. Movidos para qualquer lado pela vida. Sem escolha.

"e eu só quero que você saiba que estou tentando encontrar um motivo para mim"

Tenho me sentindo diferente. É como se tudo não valesse à pena, ou nada fosse tão satisfatório quanto eu esperava. Me sinto tão oca por dentro, como se nunca tivesse existido nada ali. Uma dor tão profunda e descontente. Não sei qual ou quais os motivos disso tudo, mas tenho receio do que isso possa fazer comigo. Essa ausência pode me moldar como quiser, me mover o quanto puder, tal qual o vento que carrega as folhas secas no chão. E eu sinto que nada é verdadeiro.

"eu tenho medo que ela se torne amargurada"

Incrível pensar que, nesta idade, eu tenha o desprazer de me tornar isso. Amargurada. Meus traços já começam a sugerir isso. E eu me sinto infeliz por ser obrigada a observar isso no meu reflexo. Todos os dias. A cada passo que eu dou a frente, o mesmo se anula com duas, três passadas contrárias. Onde eu estou afinal? Para onde eu vou? A quem confiar as minhas lágrimas e os meus sonhos? 


Minhas palavras podem parecer desconexas para você, não para mim.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Quem dirá que isso é ridículo?


Bendito seja o que está no alto de nossas cabeças. Que com um brilho infinito e quente, não é limitado e alimenta os meus sonhos, sempre embalados a belas canções. 

Sempre que estou sozinha, a caminho de algum lugar, procuro avaliar o que está no alto. Bem distante. Intocável. Aquela imensidão azul manchada de branco. Quem dirá que isso é ridículo? Ninguém, pois todos um dia já olharam. E por que não dizer que imaginaram (ou até sentiram) tocá-lo? 

Depois do azul infinito, vem a mescla da aurora. Contagiando. Convidando a ser vista. Olhem para mim. É de acalmar qualquer ser e de inebriar qualquer tonto que insiste em olhar para o chão.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Mais um ninguém que os olhos vão continuar a não perceber

Durante a minha caminhada vespertina percebi algo dentro de mim. Eu compreendi que ela nunca deixou o meu ser. Mesmo eu encontrando novos rumos, seu permanente incômodo está aqui, bem aqui. Dentro de mim. Um dia, há muito tempo, escrevi poucas linhas para uma história. Ali está impresso todo o meu credo sobre o fim de uma vida. Ao final de uma jornada, você não passa de um número. Você vai ser apenas mais um número na contagem de corpos de um cemitério, de caixões que estão sendo entregues a terra, mais um ninguém que os olhos vão continuar a não perceber.

Eu não sentia, durante as minhas passadas, que o meu fim estava próximo. Não. Eu apenas senti que estou a continuar definhando. O meu ser não é o mesmo e o nó que se formava em minha garganta, há tempos esquecido, retornou. Tenho receio do que isso posso vir a significar. Mais que isso. Eu tenho medo. Assim como todo ser humano, eu temo pelo que não conheço. Eu poderia até imaginar o que venha a ser, mas como sempre, eu posso estar enganada.

A única verdade que sei é que estou imersa num mundo de mentiras. Nessa montanha-russa de sentimentos bons e ruins, eu me vejo cansada de lutar contra mim mesma. Contra o que alguns chamam de depressão, ou dupla personalidade, ou sei lá o que. Sinto felicidade extrema dias sim, dias não. Sinto o obscuro me invadir dias sim, dias não. Eu já me vi assim. Mas, não consegui enfrentar sozinha. Eu não quero estar sozinha.

Numa noite calorosa, eu tive um sonho ruim. Nem ao menos gosto de relembrá-lo. Mas, é que isso fica indo e voltando sempre a minha mente e confunde as minhas ideias. O que será que ele quis dizer? Talvez nós estejamos perdidos e sem chances de voltar.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Limite-se a sua ignorância

Encarei esta página em branco por alguns segundos. Minto. Visualizei esta tela durante muito tempo, diria dias, até. O receio era sobre o que escrever dessa vez. Nesta tarde, minha reflexão foi enfim sanada. Fluiu, assim como bons discursos.

Sempre que venho até aqui, tento expor em palavras o que estou sentido sobre determinado acontecimento. A descrição da página diz tudo: "um refúgio". Sim, este é meu refúgio, é praticamente um diário, entretanto sem a sua peculiaridade de ser secreto. O que me importa expor meus pensamentos e sentimentos numas poucas linhas que muitos que quiserem poderão ler?

Pois bem, foi nesta tarde que, mais uma vez, a decepção foi acrescida a minha rotina. Apesar dos sorrisos e gargalhadas, algumas observações trazidas até mim, me marcaram em especial. E não. Não posso deixá-las passar sem me dar o direito de resposta.

Então, me responda você que, nem ao menos tem conhecimento destas palavras. Quem você pensa que é? O que você acha que eu sou? Ou melhor dizendo, o que você "acha que tem a certeza" que eu sou?

O julgamento precipitado só afeta os que rebatem a cara alheia com as palavras. Dessa vez eu peço. Tenha medo do que você pensa, supõe, fala. Não queira dar uma de entendida, pessoa, hoje, desprezível. O seu saber não passa de discriminação. Não. Eles não são alucinados, malucos, ou qualquer adjetivo que vague por essa sua mente bitolada.

O diagnóstico que tenho sobre a sua falta de conhecimento não caberia neste humilde recanto. Por isso, eu me limito, mesmo sem querer, a pedir, encarecidamente... Limite-se a sua ignorância e não queira envolver os que gostam de mim nessa sua sujeira.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Não estais, tu, cansado de estar cercado de idiotas?

Abram alas para o meu grito. Minha voz está clamando alto por causa da quantidade de injustiça que existe. Se não existe com você, pelo menos comigo é rotina.

Falsários conseguem estragar boa parte da minha vida com palavras desconexas e irreais. Até que os seus semblantes tentavam transmitir um imagem diferente, entretanto as suas palavras surraram o meu ego e o apreço que eu tinha.

Então, eu pergunto. Não estais, tu, cansado de estar cercado de idiotas? De falsas amizades, de falsos amores?

Calam-me de forma brutal, voraz. E, nesse joguinho de falsos amigos, continuam a massacrar o meu valor e a minha verdade. Já chega. Farta estou de tanta ladainha. De tanta supremacia. Eu quero mais é fugir de tudo isso, esquecer o que foi ruim e alçar voos mais altos e perigosos.

O salto de seus sapatos já estão desgastados de tanto andar em busca do inferno alheio. Sua boca amarga há tempos palavras que ferem os mais oprimidos.

Desconsidere essa mensagem quem sempre esteve ali, perto de mim.

Meu coração se aperta e minha respiração se extinguem por causa disso.
Estou farta.