Eles precisavam dos loucos para sentirem-se normais. Assim como, os tolos que insistiam em dizer que as faculdades mentais dele estavam abaladas, necessitavam dele para encontrarem um resquício - mesmo mínimo- de sanidade.
Ao pé da orelha, ele falava com alguém. O punho fechado seria o meio que interceptaria a comunicação com "não-sei-quem" e ali estava estabelecido um diálogo, pelo menos, curioso. Do outro lado, aqueles olhos curiosos e os pensamentos desordenados dos que apenas assistiam, sempre encontravam o corpo do jovem curvado, bem para frente, tentando esconder-se de um mundo que não era seu.
E lá estava ele. O homem estranho. O esquisito. O menino que não crescia e não pretendia. Profissionais poderiam dar diagnósticos clínicos. Mas, eu, um ninguém com vontade de ser um alguém o enxergava de outra maneira. Eu via uma fragilidade mesclada a vontade de compreensão. Ele precisava daquele “não-sei-quem” do outro lado e mais ainda de expor, com as palavras orais, o que pensava. O que sentia.
