Observei, hoje à tarde, um pedaço de papelão voar centímetro a centímetro no chão a minha frente. E mesmo com calor e sentindo o meu corpo pesar tanto quanto as sacolas que carregava, eu compreendi que aquilo poderia ser uma representação simples da nossa existência. Somos tão frágeis quanto aquele pedaço de papelão. Movidos para qualquer lado pela vida. Sem escolha.
"e eu só quero que você saiba que estou tentando encontrar um motivo para mim"
Tenho me sentindo diferente. É como se tudo não valesse à pena, ou nada fosse tão satisfatório quanto eu esperava. Me sinto tão oca por dentro, como se nunca tivesse existido nada ali. Uma dor tão profunda e descontente. Não sei qual ou quais os motivos disso tudo, mas tenho receio do que isso possa fazer comigo. Essa ausência pode me moldar como quiser, me mover o quanto puder, tal qual o vento que carrega as folhas secas no chão. E eu sinto que nada é verdadeiro.
"eu tenho medo que ela se torne amargurada"
Incrível pensar que, nesta idade, eu tenha o desprazer de me tornar isso. Amargurada. Meus traços já começam a sugerir isso. E eu me sinto infeliz por ser obrigada a observar isso no meu reflexo. Todos os dias. A cada passo que eu dou a frente, o mesmo se anula com duas, três passadas contrárias. Onde eu estou afinal? Para onde eu vou? A quem confiar as minhas lágrimas e os meus sonhos?
Minhas palavras podem parecer desconexas para você, não para mim.