Durante a minha caminhada vespertina percebi algo dentro de mim. Eu compreendi que ela nunca deixou o meu ser. Mesmo eu encontrando novos rumos, seu permanente incômodo está aqui, bem aqui. Dentro de mim. Um dia, há muito tempo, escrevi poucas linhas para uma história. Ali está impresso todo o meu credo sobre o fim de uma vida. Ao final de uma jornada, você não passa de um número. Você vai ser apenas mais um número na contagem de corpos de um cemitério, de caixões que estão sendo entregues a terra, mais um ninguém que os olhos vão continuar a não perceber.
Eu não sentia, durante as minhas passadas, que o meu fim estava próximo. Não. Eu apenas senti que estou a continuar definhando. O meu ser não é o mesmo e o nó que se formava em minha garganta, há tempos esquecido, retornou. Tenho receio do que isso posso vir a significar. Mais que isso. Eu tenho medo. Assim como todo ser humano, eu temo pelo que não conheço. Eu poderia até imaginar o que venha a ser, mas como sempre, eu posso estar enganada.
A única verdade que sei é que estou imersa num mundo de mentiras. Nessa montanha-russa de sentimentos bons e ruins, eu me vejo cansada de lutar contra mim mesma. Contra o que alguns chamam de depressão, ou dupla personalidade, ou sei lá o que. Sinto felicidade extrema dias sim, dias não. Sinto o obscuro me invadir dias sim, dias não. Eu já me vi assim. Mas, não consegui enfrentar sozinha. Eu não quero estar sozinha.
Numa noite calorosa, eu tive um sonho ruim. Nem ao menos gosto de relembrá-lo. Mas, é que isso fica indo e voltando sempre a minha mente e confunde as minhas ideias. O que será que ele quis dizer? Talvez nós estejamos perdidos e sem chances de voltar.
Existe uma banda chamada Within Temptation, e uma de suas músicas, entitulada "See who i am", possui uma letra belíssima, cuja tradução é mais ou menos esta que se segue:
ResponderExcluir"É verdade o que dizem? / Estamos muito cegos para encontrar um caminho? / Medo do desconhecido perturbando nossos corações hoje / Venha para o meu mundo, veja através de meus olhos / Tente entender, não quero perder o que nós temos / Estivemos sonhando mas quem pode negar? / Essa é a melhor forma de se viver entre as verdades e mentiras [...]"
Sua postagem me faz pensar em duas coisas. A primeira delas é que você pede por socorro, e isto me faz lembrar a música. E a segunda é que talvez você não esteja pedindo por socorro, mas que de algum modo está cega para tudo mais, e isto também me faz lembrar a música. Em relação à nossa identificação com o "eu lírico" da música, ou você é quem canta, ou você e quem ouve. Quem é você, na música?
Por vezes temos impressões estranhas sobre a vida e a existência. Por vezes estas impressões são exatas, mas há momento em que são enganosas também. É pela observação atenta e acurada que conseguimos perceber qual é qual.
Certa vez eu li uma frase muito bonita e significativa: "tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas". Ela estava no livro "O Pequeno Príncipe". Infelizmente vivemos em dias obscuros, e as pessoas tendem a cobrar direitos e esquecer deveres. Todos querem um responsável, poucos assumem suas responsabilidades. E assim caminha a humanidade...
Não sei quantas pessoas conseguiram lhe cativar, mas posso perceber que poucas se tornaram responsáveis por ti. Entretanto, também devo perguntar: quantas pessoas você cativou, e de quantas delas se tornou responsável?
O Amor é uma via de mão dupla...
Talvez sua percepção sobre a vida e a existência modifique-se ligeiramente se você olhar um pouco mais atentamente para os lados. Talvez o problema seja só uma questão de perspectiva e expectativa: você pode estar esperando a coisa certa das pessoas erradas.
Há, no mínimo, pelo menos uma pessoa que não lhe vê como um número, que lhe nota bem, e conhece sua essência, e espera ancioso o momento de afastar, de ti, teus medos e angustias. E essa pessoa, de certo modo, também se sente um pouco esquecida, ainda mais quando lẽ um texto como este.
O mundo não é feito apenas de mentiras. E se vocẽ deseja encontrar verdades, o caminho é um só: use um pouco mais, e melhor, o seu coração. Afinal de contas, "só se vê bem com o coração, o essencial é invisível aos olhos".
Ainda sobre a música, "See who i am"...
"[...] Veja quem eu sou / Quebre a superfície / Alcance minha mão / Vamos mostrar a eles que nós podemos / Libertemos nossas mentes e encontremos um caminho / O mundo está em nossas mãos / Isso não é o fim / O medo está enfraquecendo a alma / Ao ponto de não ter retorno / Nós devermos ser a mudanção que gostaríamos de ver / Eu irei para dentro de seu mundo, ver através de seus olhos / Eu tentarei entender antes de perdermos o que temos // Simplesmente não podemos parar de acreditar porque nós temos que tentar / Podemos nos elevar além da verdade e das mentiras deles [...]"
Então, agora posso lhe: "See who i am", my dear. "See who i am"...